Encontraste a casa de férias perfeita, barata, e pedem transferência já para garantir a reserva? Pode ser burla
Verificado por Equipa É Burla?Atualizado a 30 de junho de 2026
Se te metem pressa e te pedem transferência por fora da plataforma, não é um bom negócio, é uma burla. Casa de férias a sério confirma-se na lista de Alojamento Local.
O que ele diz vs. o que ele quer
Ele diz“Preço especial, mas só se reservares hoje. Tenho mais gente interessada.”
Quer mesmoMeter-te pressa para pagares antes de pensares ou de confirmares se a casa existe. A pressa é a ferramenta principal da burla.
Ele diz“A plataforma está com problemas, paga antes por transferência ou MB Way que eu seguro a reserva.”
Quer mesmoTirar-te de dentro da plataforma, onde há proteção e rasto, para um pagamento direto que não dá para reverter.
Ele diz“Envia já metade do valor para eu bloquear as datas em teu nome.”
Quer mesmoReceber uma transferência para um particular e desaparecer. Não há reserva nenhuma para bloquear.
Ele diz“Tens aqui as fotos todas e o contrato, está tudo certinho.”
Quer mesmoPassar credibilidade com fotos roubadas de anúncios reais e um contrato falso, para baixares a guarda.
Estás a planear as férias e encontras a casa ideal. Boas fotografias, bem localizada, e por um preço bem abaixo do que esperavas. O senhorio é simpático, responde depressa, e diz-te que há mais gente interessada, por isso o melhor é garantires já com uma transferência. Parece a sorte grande.
Antes de enviares seja o que for, para um segundo. Esta é uma das burlas que mais cresce em Portugal, sobretudo no verão, quando toda a gente anda à pressa a procurar o melhor negócio. Em Portugal, esta burla já fez milhares de vítimas, e os esquemas estão cada vez mais convincentes. Cair nisto não te faz ingénuo. Os anúncios são quase iguais aos verdadeiros, porque na maioria das vezes são copiados de anúncios verdadeiros. Se desconfiaste e vieste confirmar, fizeste exatamente o que devias.
Como funciona
A burla do alojamento falso é simples de montar e por isso há tanta. Costuma seguir sempre os mesmos passos.
- O anúncio bom demais. Aparece-te uma casa com ótimo aspeto, bem localizada, e mais barata do que tudo o resto. As fotografias são reais, mas roubadas de anúncios verdadeiros do Airbnb, do Booking ou de imobiliárias. O preço baixo existe só para te chamar a atenção depressa.
- O contacto fora da plataforma. O suposto senhorio tenta levar-te para conversa privada, por email, WhatsApp ou mensagem direta. Fora da plataforma, não há proteção nenhuma nem ninguém a fiscalizar o negócio.
- A pressa. Dizem-te que há muita procura, que as datas estão quase a fechar, que tens de decidir já. A pressa é de propósito, para não teres tempo de confirmar se a casa é real.
- O pagamento sem rasto. Pedem-te para pagares por transferência bancária, MB Way para um número pessoal, ou por fora da plataforma “para evitar comissões”. É aqui que te apanham, porque esses pagamentos não dão para reverter.
- O desaparecimento. Depois de pagares, ou deixam de responder, ou vais aparecer no local no dia das férias e descobres que a casa não existe, não é daquela pessoa, ou já está alugada a outros que também foram enganados.
Como saber se o alojamento é REAL
Esta é a parte mais importante, e a boa notícia é que tens uma forma simples e oficial de confirmar. Em Portugal, todas as casas alugadas para turismo têm de estar registadas como Alojamento Local (AL) e ter um número de registo válido.
Antes de pagares, confirma estas três coisas:
- Pede e confirma o número de registo de Alojamento Local. Um alojamento turístico legal tem um número de registo AL. Pede-o ao anunciante e confirma-o no Registo Nacional de Alojamento Local, no site do Turismo de Portugal (https://rnal.turismodeportugal.pt). Se não te sabem dar o número, ou se o número não bate certo com a morada e o nome, é bandeira vermelha.
- Faz uma pesquisa inversa às fotografias. Guarda as imagens do anúncio e procura-as no Google Imagens (pesquisa por imagem). As fotos usadas em burlas estão quase sempre noutros anúncios, com nomes e localizações diferentes. Se as mesmas fotos aparecem em vários sítios, é burla.
- Procura a casa noutras plataformas e no mapa. Vê se o mesmo alojamento existe no Airbnb ou no Booking com avaliações reais, e confirma a morada no Google Maps. Uma casa que só existe naquele anúncio, sem rasto em mais lado nenhum, é motivo para desconfiar.
Fica com esta ideia: não és tu que tens de provar que o anúncio é falso. És tu que confirmas que é verdadeiro, antes de pagar. Se não consegues confirmar, não pagues.
Sinais de alarme
Se reconheces isto, acende-se a luz vermelha:
- Preço muito abaixo do das casas parecidas na mesma zona e nas mesmas datas.
- Pressa para reservares já, com a desculpa de que há muita procura.
- Querem tirar-te da plataforma (Airbnb, Booking) para tratar tudo por email ou WhatsApp.
- Pedem transferência bancária, MB Way para um número pessoal ou pagamento “por fora para poupar na comissão”.
- Não te dão o número de registo de Alojamento Local, ou o que dão não confere.
- O anúncio tem poucas avaliações ou nenhumas, ou a conta foi criada há pouco tempo.
- O texto tem erros estranhos ou parece traduzido à pressa.
Guarda esta regra: se te metem pressa e te pedem transferência por fora da plataforma, não é um bom negócio, é uma burla.
O que fazer se já pagaste
Se já transferiste e agora não te respondem, respira. Não tens culpa de o anúncio parecer verdadeiro, foi feito de propósito para isso. Vamos por passos.
Agora:
- Liga já ao teu banco pelo número do verso do cartão. Explica que pagaste a um anúncio de alojamento que afinal é uma burla e pergunta se ainda dá para travar ou reverter a transferência. Quanto mais cedo, mais hipóteses tens.
- Não faças mais pagamentos. Se te pedirem mais dinheiro para “confirmar”, “desbloquear” ou “reembolsar”, é a mesma burla a continuar. Não pagues mais nada.
- Guarda todas as provas. Tira fotografias ao anúncio, às conversas, aos comprovativos de pagamento e ao perfil de quem te contactou. Vais precisar delas para a queixa.
- Avisa a plataforma, se o contacto começou no Airbnb, Booking ou OLX, para tentarem remover o anúncio e travar mais vítimas.
Onde reportar:
- Faz queixa à PSP ou à GNR. A burla é crime e a queixa ajuda a investigação. Podes também usar a Queixa Eletrónica em https://queixaselectronicas.mai.gov.pt.
- Guarda o caso para o teu banco e seguradora. Se pagaste com cartão de crédito, pergunta ao banco pelo mecanismo de contestação da transação (chargeback), que aumenta as hipóteses de recuperares o dinheiro.
Sobre o dinheiro, sou honesto contigo: numa transferência para um particular é difícil recuperar, mas avisar o banco cedo é o que mais ajuda, e a tua queixa pode levar a que o anúncio caia e não apanhe mais ninguém.
Como te proteger
Para a próxima reserva, e para protegeres quem te é próximo:
- Paga sempre dentro da plataforma, de preferência com cartão de crédito. O cartão dá uma camada extra de proteção e mais hipóteses de reaver o dinheiro se algo correr mal. Nunca pagues por transferência para um particular.
- Confirma o registo de Alojamento Local no site do Turismo de Portugal antes de reservar. Leva dois minutos e é a garantia oficial de que a casa existe e é legal.
- Desconfia de preços bons demais e de pressa. Um negócio verdadeiro continua lá amanhã. Quem te apressa, apressa-te por uma razão.
- Não saias da plataforma para tratar do pagamento. Fora dela, perdes toda a proteção.
- Faz a pesquisa inversa às fotos e procura a casa no mapa e noutros sites antes de decidires.
- Fala disto com a família, sobretudo com quem reserva férias à pressa. Quem conhece o esquema protege-se, e protege os outros.
Fontes: PSP, Polícia de Segurança Pública, alertas para o aumento das burlas no arrendamento de férias (“se parece bom demais, provavelmente é fraude”) e recomendações para confirmar o alojamento e pagar dentro da plataforma. GNR, Guarda Nacional Republicana, deteção de aumento de burlas no aluguer de casas de férias. Polícia Judiciária, investigações a burlas em arrendamento de casas para férias. Turismo de Portugal, Registo Nacional de Alojamento Local (https://rnal.turismodeportugal.pt), obrigatoriedade de registo dos alojamentos turísticos. Cobertura de imprensa (Jornal Económico, Correio da Manhã, Renascença, 2026) sobre o crescimento das queixas por falso arrendamento, com milhares de vítimas em Portugal. Queixa Eletrónica do Ministério da Administração Interna.
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