O SMS dos CTT a dizer que tens uma encomenda parada e que tens de pagar uma taxa

Perigo altoA circular agoraSMS e phishing

Verificado por Equipa É Burla?Atualizado a 22 de junho de 2026

Os CTT (e os correios em geral) não te mandam SMS com um link a pedir o pagamento de taxas.

Recebeste uma mensagem assim: “CTT: a sua encomenda está retida. Pague a taxa de 1,79€ para a libertar”, com um link para carregares. E ficaste na dúvida, porque até estás mesmo à espera de uma encomenda e o valor é tão pequeno que quase nem vale a pena pensar duas vezes.

É exatamente isso que eles contam. Pousa o telemóvel um segundo e vamos ver isto com calma. Se ainda não pagaste, estás a tempo. Se já carregaste, fica na mesma, que há coisas simples a fazer e eu explico-te tudo.

E não há aqui nada que tenhas feito mal. Esta mensagem chega a milhares de pessoas ao mesmo tempo, à sorte. Calhou esses cêntimos baterem certo com uma encomenda de que andas à espera. Não foste escolhido por seres distraído, foi coincidência. E eles vivem dela.

Como funciona

A burla é simples, e é por isso que resulta tão bem:

  1. Mandam o mesmo SMS a milhares de números ao calhas, todos os dias. Quase toda a gente anda à espera de alguma encomenda, por isso a história encaixa em muita gente.
  2. A mensagem inventa um problema (uma taxa por pagar, uma morada por confirmar, uma encomenda retida) e mete-te um link.
  3. Carregas e vais parar a uma página igualzinha à dos CTT. Bem feita, com o logótipo certo e tudo.
  4. Aí pedem-te os dados do cartão para pagares a tal taxa ridícula. O que querem mesmo não são os 1,79€, são os dados completos do teu cartão, para depois fazerem compras ou tirarem valores bem maiores.

O valor pequeno é a parte mais esperta do esquema. Ninguém liga ao banco por causa de 1,79€. Mas com o teu cartão na mão, o prejuízo a seguir pode ser de centenas de euros.

O isco

O gancho é quase sempre o mesmo, e joga com três coisas ao mesmo tempo:

  • A coincidência. Quase toda a gente tem uma encomenda a chegar. A mensagem aposta nisso.
  • O valor minúsculo. “São só uns cêntimos.” A cabeça desliga o alarme porque o risco parece nenhum.
  • A pressa. “A sua encomenda será devolvida em 48h.” Metem-te um relógio em cima para carregares antes de pensar.

E há a casca de autoridade: o nome “CTT” no remetente acalma logo a desconfiança. Mas qualquer pessoa pode escrever “CTT” no campo do nome de um SMS. Esse nome não prova rigorosamente nada.

Sinais de alarme

Se vês um destes, desconfia. Se vês dois ou mais, é burla quase de certeza:

  • O SMS traz um link e pede para carregares para pagar ou confirmar dados.
  • Pedem o pagamento de uma taxa para libertar a encomenda, ainda que pequena.
  • O endereço do link não é o site oficial dos CTT. Costuma ter palavras estranhas, traços a mais, ou terminar em coisas como .info, .top, .xyz.
  • A mensagem mete pressa (“vai ser devolvida”, “últimas horas”, “prazo a terminar”).
  • erros pequenos no português ou no aspeto, embora às vezes esteja tudo bem escrito (não confies só nisto).
  • Estás à espera de uma encomenda, mas não compraste nada que tivesse taxas extra na entrega.

O que fazer se já caíste

Se já carregaste no link, ou pior, se já meteste lá os dados do cartão, respira. A culpa não é tua e há passos concretos que travam o problema. Vamos por ordem, e depressa, porque agora cada minuto conta a teu favor.

Nos próximos 5 minutos:

  1. Liga ao teu banco e diz que meteste os dados do cartão numa página falsa. Pede para cancelar o cartão na hora. Usa o número no verso do teu cartão ou a app ou site oficial do teu banco, nunca um número que te tenham mandado por mensagem.
  2. Se a app do teu banco deixar bloquear ou congelar o cartão com um toque, faz isso já enquanto esperas pela chamada.
  3. Não carregues em mais nada que venha dessa mensagem nem respondas ao SMS.

Quem contactar:

  • O teu banco, sempre o primeiro. É quem pode travar movimentos e trocar o cartão.
  • Se quiseres confirmar a história da encomenda, fala com os CTT pelos canais oficiais (a app CTT ou ctt.pt, que escreves à mão no navegador), não pelo link do SMS.

Como denunciar:

  • Podes fazer queixa à polícia (PSP ou GNR), online na Queixa Eletrónica em https://queixaselectronicas.mai.gov.pt, ou numa esquadra. Leva a mensagem, o link e o que aconteceu. Mesmo que aches que o prejuízo foi pequeno, a queixa ajuda a travar quem faz isto.
  • Há também a Linha Internet Segura, no 800 21 90 90 (dias úteis, 8h-23h), onde podes reportar mensagens e sites de burla.

Se o cartão chegou a ser usado:

  • Pede ao banco para contestar os movimentos que não reconheces. Quanto mais cedo avisas, melhores são as hipóteses de recuperar.

Sobre recuperar o dinheiro, vou ser honesto: depende de teres avisado cedo e do que o banco conseguir fazer. Não prometo nada que não controlo. Mas avisar depressa é o que mais joga a teu favor, por isso não percas tempo por vergonha. Quem te atende já ouviu esta história mil vezes e só te quer ajudar.

Como te proteger no futuro

Pequenos hábitos que te tiram este esquema do caminho:

  • Regra de ouro: os CTT não te mandam SMS com um link a pedir o pagamento de taxas. Se há mesmo algo a pagar, resolve-se na app oficial, no balcão ou com o estafeta.
  • Nunca carregues em links de SMS sobre encomendas. Para confirmar, abre a app dos CTT ou escreve o site à mão no navegador. Vai dar ao mesmo sítio, mas seguro.
  • Desconfia sempre que te pedem dados do cartão para “libertar” alguma coisa. Receber uma encomenda não custa o teu número de cartão.
  • Na dúvida, mostra a mensagem a alguém de confiança antes de carregares. Dois minutos a perguntar nunca fizeram mal a ninguém.

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