Ligam a dizer que são inspetores da Polícia Judiciária e que a tua conta está num crime? É burla

Perigo altoA circular agoraBurla por telefone

Verificado por Equipa É Burla?Atualizado a 21 de julho de 2026

A Polícia Judiciária nunca liga a pedir dinheiro, transferências, códigos ou dados, e não existe 'conta segura' para onde mandares o teu dinheiro. Se pedem isso, é burla. Desliga.

O que ele diz vs. o que ele quer

  • Ele diz“Bom dia, fala o inspetor André Santos, da Polícia Judiciária. A sua conta bancária está a ser usada num esquema de branqueamento de capitais.”

    Quer mesmoMeter-te medo com uma acusação grave e um nome com ar oficial. O medo desliga o pensamento e faz-te obedecer a quem parece ter autoridade.

  • Ele diz“Isto é uma investigação em segredo de justiça. Não pode falar com ninguém, nem com o banco nem com a família.”

    Quer mesmoIsolar-te. Se não confirmas com mais ninguém, não descobres que é falso. O sigilo é a arma deles, não uma regra da lei.

  • Ele diz“Para proteger o seu dinheiro, tem de o transferir para uma conta segura do Estado enquanto decorre a investigação.”

    Quer mesmoLevar-te a mandar o dinheiro de livre vontade para a conta deles. Não existe 'conta segura do Estado'. Isto é só o roubo, com outra roupa.

  • Ele diz“Confirme a sua identidade. Preciso do seu número de cartão, do código do multibanco e do código que lhe vai chegar por SMS.”

    Quer mesmoApanhar os teus dados e os códigos para entrar na tua conta e esvaziá-la, ou autorizar pagamentos em teu nome.

Um dia toca o telefone. Do outro lado, uma voz séria diz que é inspetor da Polícia Judiciária. Trata-te pelo nome, sabe em que banco tens conta e diz-te que há um problema grave: a tua identidade foi roubada, ou a tua conta está a ser usada num crime de branqueamento de capitais. Às vezes a voz começa em inglês, a fingir que é da Europol ou da Interpol, e passa-te para um “inspetor” que fala português. No ecrã do teu telemóvel pode até aparecer um número português, com ar de esquadra a sério.

O coração acelera. E é exatamente isso que eles querem. A partir daqui, tudo o que te disserem serve um único objetivo: pôr-te a entregar o teu dinheiro ou os teus dados sem parares para confirmar. A Polícia Judiciária já veio a público avisar que este esquema anda a circular. Se recebeste uma chamada destas e vieste confirmar antes de fazer o que te pediram, fizeste exatamente o que devias.

O sinal que entrega tudo

Há uma frase que desmonta esta burla inteira, e é bom que a decores: nenhuma polícia e nenhuma autoridade te liga a pedir dinheiro, transferências, códigos ou dados. A Polícia Judiciária não faz investigações a pedir “colaboração financeira” por telefone. Não existe nenhuma “conta segura”, “cofre do Estado” ou “conta de proteção” para onde tenhas de mandar o teu dinheiro enquanto “investigam”. Isso não existe em lado nenhum. No momento em que alguém ao telefone te pede para transferir dinheiro ou dar códigos em nome de uma autoridade, acabou: é burla, sem mais voltas a dar.

Como funciona

O esquema é montado passo a passo para te tirar a capacidade de pensar. É engenharia social pura.

  1. O contacto que mete medo. Chega uma chamada, um WhatsApp ou um email de alguém que se diz inspetor da PJ (ou da Europol, ou da Interpol). Dizem que a tua conta ou a tua identidade está metida num crime grave: branqueamento de capitais, roubo de identidade, até acusações chocantes para te deixar em pânico.
  2. A credibilidade falsa. Muitas vezes já sabem alguns dados teus, como o nome, o telemóvel e o banco onde tens conta. No ecrã pode aparecer um número português real, de uma esquadra ou da própria PJ, porque usam uma técnica chamada spoofing, que falsifica o número que te aparece. Podem inventar um nome e um número de crachá, ou enviar-te “mandados” e cartões de identificação falsos.
  3. O sigilo imposto. Dizem-te que estás sob investigação em “segredo de justiça” e que não podes falar com ninguém, nem com o banco, nem com a família. Isto é a parte mais importante do golpe: querem-te sozinho, sem ninguém a quem perguntar “isto faz sentido?”.
  4. O pedido final. Já em pânico e isolado, pedem-te para “colaborar”: transferir o dinheiro para uma “conta segura”, instalar uma aplicação, dar o número do cartão, o PIN e os códigos que te chegam por SMS. É aqui que o dinheiro sai, ou que eles ganham acesso à tua conta.

Porque é que se percebe que é falso

Se afastares o medo por um segundo, os sinais são todos evidentes:

  • A polícia não pede dinheiro por telefone. Nunca. Não há investigação nenhuma que precise que transfiras dinheiro para “proteger” a tua conta.
  • Não existe “conta segura do Estado”. É uma invenção só para esta burla. O Estado não tem uma conta para onde os cidadãos mandam o dinheiro em perigo.
  • O sigilo forçado é o truque. “Não fale com ninguém” não é uma regra da justiça, é a maneira de eles te impedirem de confirmar e de descobrir a fraude.
  • A urgência é fabricada. “Tem de ser agora”, “se desligar fica pior para si”. A pressa serve para não te dar tempo de pensar nem de ligar tu à PJ.
  • O número que aparece não prova nada. Com spoofing, qualquer número pode aparecer no teu ecrã. Ver “Polícia Judiciária” no visor não garante que é a PJ.

Sinais de alarme

Se reconheces isto numa chamada, mensagem ou email, acende-se a luz vermelha:

  • Alguém diz que é inspetor da PJ, da Europol ou da Interpol e que a tua conta ou identidade está num crime.
  • Metem medo com acusações graves e exigem segredo: “não fale com ninguém”.
  • Pedem para transferir dinheiro para uma “conta segura”, ou para dar dados, códigos e o PIN.
  • pressão e urgência para agires já, sem confirmar.
  • Mandam documentos, mandados ou crachás por WhatsApp ou email para parecerem verdadeiros.

Guarda esta regra: autoridade a sério nunca te pede dinheiro nem códigos ao telefone. Se pede, não é autoridade nenhuma.

O que fazer se recebeste esta chamada agora

Se estás com a chamada em cima e o coração aos saltos, faz assim.

  1. Desliga. Não tens de dar explicações. Não é falta de educação desligar a uma burla.
  2. Não transfiras nada e não dês códigos. Nem número de cartão, nem PIN, nem códigos de SMS, nem acesso à app do banco. É este passo que evita tudo o resto.
  3. Não confirmes pelo número que ligou. Se ligares de volta, cais no mesmo esquema. Procura tu o contacto oficial da Polícia Judiciária ou do teu banco (no site oficial ou no verso do cartão) e confirma por aí.
  4. Fala com a família e com os amigos. O “segredo de justiça” é mentira. Contar a quem te é próximo é precisamente o que quebra a burla.
  5. Guarda tudo. O número que apareceu, a hora, prints do WhatsApp ou do email. Vai fazer falta para a denúncia.
  6. Denuncia. À Polícia Judiciária, ou pela Queixa Eletrónica em https://queixaselectronicas.mai.gov.pt. A PJ publica os alertas atuais em https://www.policiajudiciaria.pt/alertas-2/.

Este esquema é primo direito de outro muito comum, o do falso funcionário do banco ao telefone. Muda o uniforme, o guião é o mesmo.

O que fazer se já transferiste

Se já transferiste dinheiro ou já deste os teus dados, não te martirizes. Estes esquemas são desenhados por profissionais para enganar gente atenta e de cabeça no lugar. Age depressa.

  1. Liga já ao teu banco, pelo número oficial do cartão ou da app, e explica o que aconteceu. Pede para travar transferências e cancelar cartões. Quanto mais cedo, mais hipóteses há de segurar o dinheiro.
  2. Muda as passwords do banco e do email, e ativa a verificação em dois passos onde puderes. Se deste códigos ou acesso, assume que a tua conta ficou exposta.
  3. Faz queixa às autoridades. Polícia Judiciária, ou pela Queixa Eletrónica em https://queixaselectronicas.mai.gov.pt. Leva ou anexa todos os prints e o número que te ligou.
  4. Guarda tudo o que trocaste com o banco, incluindo números de reclamação e nomes de quem te atendeu.

Como te proteger

Para a próxima, e para proteger a família e quem te é próximo:

  • Nenhuma autoridade te liga a pedir dinheiro, transferências, códigos ou dados. Esta única frase chega para não caíres.
  • Não confies no número que aparece no ecrã. Com spoofing, o visor pode mostrar qualquer coisa. Desliga e confirma tu pelos contactos oficiais.
  • “Não fale com ninguém” é o maior sinal de burla. A justiça a sério não te proíbe de perguntar ao banco ou à família. Faz precisamente o contrário do que te pedem: fala.
  • Não decidas com medo nem à pressa. Desliga, respira, e só depois confirma. Nenhuma investigação verdadeira desaparece por teres desligado para verificar.
  • Fala disto com quem te é próximo, sobretudo com pessoas mais velhas, que são o alvo preferido destas chamadas. Quem conhece o esquema desliga, e não cai.

Fontes: Polícia Judiciária, “A Polícia Judiciária Alerta: Burla através de «Vishing»” (https://www.policiajudiciaria.pt/burlaatravesvishing/), que descreve as chamadas em nome da PJ e da Europol a pedir a transferência do saldo para “contas seguras” e recomenda não fornecer dados nem seguir instruções. Alertas ao Cidadão da Polícia Judiciária (https://www.policiajudiciaria.pt/alertas-2/). 4gnews, “Nova burla em nome da PJ a circular em Portugal” (https://4gnews.pt/nova-burla-em-nome-da-pj-a-circular-em-portugal/), que refere o uso de chamadas, emails e WhatsApp, identidades falsas de “inspetores” e o facto de os burlões já terem dados das vítimas. Público, “Números de telefone portugueses e nome da Polícia Judiciária usados em nova burla” (https://www.publico.pt/2024/09/03/sociedade/noticia/numeros-telefone-portugueses-nome-policia-judiciaria-usados-nova-burla-2102792), sobre a falsificação (spoofing) dos números que aparecem à vítima. Queixa Eletrónica do Ministério da Administração Interna (https://queixaselectronicas.mai.gov.pt).

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